Temperatura recorde de 20,75ºC na Antártica
- majutavares
- 17 de fev. de 2020
- 2 min de leitura
[Relação com as graves inundações da última semana na região Sudeste?]
Jamais se viu algo igual num dos lugares mais gelados do planeta. A unidade de monitoramento do Brasil na Ilha Marâmbio, no Mar de Weddell, registrou no último domingo (9) a mais alta temperatura da história das medições na Antártica: 20,75°C, a mesma temperatura máxima registrada na terça-feira (11) a 4.579 quilômetros dali, em São Paulo.
O pesquisador responsável pela estação ficou surpreso com a descoberta. “Já tem 18 anos que a gente faz esse tipo de monitoramento aqui e eu nunca imaginei que um dia eu fosse verificar uma temperatura tão alta nessa região”, afirma Márcio Francelino, professor da Universidade Federal de Viçosa.
Até 2006, a Ilha de Marâmbio era completamente coberta de neve. Na semana passada, a ONU já tinha emitido um alerta internacional depois que outra estação de pesquisa, a Esperanza, na Argentina, registrou o recorde anterior: 18,3°C.
Segundo os pesquisadores, tudo o que acontece naquela região, chamada por eles de Sentinela, revela o que deverá acontecer num futuro próximo nas partes mais frias do continente antártico.
Segundo os cientistas, a elevação da temperatura média na Antártica pode provocar mudanças na formação das frentes frias que chegam ao Brasil e também determinar o aparecimento de tempestades mais violentas, como as que ocorreram nas últimas semanas na região Sudeste do país.
“A gente observa sempre que há um degelo maior, uma temperatura maior na Antártica, ocorrem eventos extremos no Brasil. A gente pode ver essas enchentes em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro”, diz Márcio Francelino.
São muitas as influências do aumento do calor na Antártica sobre os fenômenos climáticos.
“As correntes que banham o litoral brasileiro dependem desse jato frio da Antártica. Então, isso cria diversos fenômenos associados: aumenta a turbulência dos oceanos austrais. Consequentemente, essas águas, que deveriam ser mais frias, ficam um pouco menos frias, mais quentes do que o normal. Isso afeta a distribuição e o fluxo de temperatura nas direções de latitudes do Brasil. Além disso, também afeta a dinâmica atmosférica. Então, é tudo interconectado”, explica o pesquisador da UFV Carlos Ernesto Schaefer.
A descoberta eleva a pressão para que a comunidade internacional reduzas as emissões de gases estufa, que agravam o aquecimento global.




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