Retirada do óleo de navio encalhado no Maranhão começa em cinco dias, diz Marinha
- majutavares
- 5 de mar. de 2020
- 3 min de leitura
A operação que vai retirar 3,5mil toneladas de óleo combustível e 140 toneladas de óleo diesel do navio Stellar Banner, que está encalhado a 100km da costa do Maranhão, deve começar a partir da próxima terça-feira (10/03), de acordo com a Marinha do Brasil.
O plano para a retirada deve ser entregue a Marinha e ao Ibama até o domingo (8).
As manobras de resgate estão sendo desenvolvidas por empresas contratadas pela Vale, responsável pela carga de minério de ferro e pela Polaris Shipping, proprietária do navio. O principal objetivo é garantir a preservação ambiental e conter possíveis vazamentos de poluentes.
“Temos a expectativa no dia 10. A gente vai ter que analisar cada passo, ver se está de acordo, se tem garantia e se ela está sendo cumprida. E temos os diversos navios que são necessários para a retirada da carga e esses navios não estão aqui em São Luís, são poucos os que tem no Brasil e alguns vem de fora. Os contratos são difíceis, pois são navios com alta tecnologia feitos especificamente para esse tipo de dano ambiental ou para a retirada do óleo como é esse tipo que são óleos especiais. Outros estão sendo mobilizados porque são muitos tipos de navio para se confrontar as diversas necessidades”, explicou Newton Costa Neto, comandante do 4º Distrito Naval.
Para o comandante Newton Costa Neto, o plano é considerado complexo por conta do tamanho da embarcação, pela quantidade de minério e de óleo que estão armazenados no Stellar Banner. Além disso, o local onde o navio está encalhado possui grandes correntes marítimas e variações de maré, o que torna a operação de retirada complicada.
A área afetada no casco do navio é de cerca de 25 metros, segundo o chefe de Estado-Maior do Comando do 4º Distrito Naval, Robson Neves Fernandes, nessa quarta-feira (4), em São Luís. O representante da Marinha também informou que seis mergulhadores têm feito inspeções no casco da embarcação de 340 metros de comprimento.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, veio a São Luís acompanhar o trabalho da Marinha e do Ibama, e reforçou que não há vazamentos de óleo no oceano. "Já não há óleo no mar. O que chegou a ser detectado foi uma pequena quantidade de óleo nos primeiros dias, que já foi dissipado e já não há mais detecção de óleo no mar", enfatizou.
Ricardo Salles descartou qualquer comparação com as manchas de óleo que atingiram o litoral do nordeste, ES e RJ no fim do ano passado.
Tripulação
De acordo com a Polaris Shipping, dos 20 tripulantes Stellar Banner, 12 são coreanos e oito são de nacionalidade filipina. Após o resgate, seis estão ainda na região ajudando na operação de salvatagem e seguindo as instruções da Capitania dos Portos.
A empresa afirmou que os outros 14 tripulantes da embarcação já estão em terra firma e devem ser repatriados após entrevistas com autoridades em São Luís.
Segurança nos tanques
Na sexta-feira (28), o Ibama havia verificado o vazamento de 333litros de óleo no mar e o poluente havia se espalhado por uma área de 0,79 km². No sábado (29), o instituto afirmou que não visualizou mais as manchas de óleo.
Técnicos também trabalharam para vedar ainda mais os tanques de combustível e reforçar as travas dos compartimentos de onde está o minério. O navio hidroceanográfico ‘Garnier Sampaio’, da Marinha, também está na área para reforçar as operações.
Riscos
A Marinha e o Ibama ainda não descartaram completamente o risco de vazamentos no navio. Atualmente, a embarcação segue encalhada e com cerca de 290 mil toneladas de minério de ferro, além de quatro milhões de litros de combustível e óleo. Se houver vazamento, todo o material pode se espalhar pelo litoral.
Buracos na estrutura do Stellar Banner
Segundo a Capitania dos Portos, o navio apresentou ao menos dois locais com entrada de água nos compartimentos de carga por volta das 21h30 desta terça (25) e começou a afundar no Oceano Atlântico. Uma fissura no casco pode ter sido a causa.




Comentários