Moda sustentável: uma realidade distante
- majutavares
- 17 de fev. de 2020
- 2 min de leitura
A indústria da moda propaga a sustentabilidade. Mas, por enquanto, a mudança está apenas no discurso. É o que aponta um estudo realizado pelas consultorias Future Impacts e 4CF e encomendado pelo Instituto C&A, com especialistas da indústria da moda. Para 75% deles, é impossível alcançar um impacto positivo no meio ambiente tendo em vista as atuais estratégias da indústria.
Nem mesmo os mais otimistas esperam mudanças no curto prazo. Os 25% que enxergam avanços de práticas sustentáveis no setor acreditam que o real impacto só será visto em 21,5 anos, em média.
O grande vilão desses números é o conceito de “fast fashion”. Criado pela varejista espanhola Zara e seguido por gigantes do setor, desde a britânica Primark até a brasileira Renner, passando pela holandesa C&A e a sueca H&M, o fast fashion é conhecido pelo rápido (e efêmero) lançamento de coleções, além de preços baixos e roupas de qualidade um tanto quanto duvidosa.
Não à toa, a moda é considerada a segunda indústria que mais polui no mundo, atrás apenas do setor de óleo & gás. Não é de se surpreender. O poliéster, fibra sintética mais usada por todo o setor, por exemplo, demora 200 anos para se decompor na natureza. Para a produção do poliéster, são necessários cerca de 70 milhões de barris de petróleo todos os anos.
Mas como mudar esse cenário? Segundo o estudo, só com uma adoção radical de certos conceitos pela indústria e também pelos consumidores. Os mais importantes seriam uma maior conscientização de fato da indústria (além da propaganda, é claro), adoção de tecidos mais amigos da natureza, a produção de relatórios de sustentabilidade cada vez mais detalhados e o respeito pelos direitos humanos dos trabalhadores em toda a cadeia de produção.
A preocupação com o meio ambiente não é recente, mas a adoção de práticas sustentáveis por empresas começou a ficar maior nos últimos anos – até por pressão da sociedade e dos investidores.




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