Japão planeja jogar ao mar água contaminada por Fukushima
- majutavares
- 25 de nov. de 2019
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Até 2022 a empresa proprietária da usina nuclear japonesa de Fukushima, a Tepco, ficará sem espaço para armazenar a agua contaminada após o acidente em 2011. O ministro do Meio Ambiente, Yoshiaki Harada, disse que, em sua opinião, o país não tem escolha senão "jogar [a água] no mar e diluí-la", algo que causou indignação dos pescadores e preocupação nos países vizinhos.
Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9 e um tsunami de 15 metros causaram uma das piores crises nucleares da história: o sistema elétrico da Fukushima Daiichi se desativou; três de seus seis reatores sofreram fusões e um foi danificado pelas explosões de hidrogênio. Mais de 160.000 pessoas se viram forçadas a deixar a região.
Desde o acidente a Tepco passou a armazenar em cerca de mil tanques instalados na central mais de um milhão de toneladas de água contaminada, resultante da mistura da água do subsolo com a proveniente dos tubos de refrigeração para resfriar os reatores. Continua construindo contêineres, cada um com capacidade para receber entre 1.000 e 1.200 toneladas de água. Cada um leva cerca de sete a dez dias para ficar cheio. A empresa estima que em três anos ficará sem espaço.
Um painel de especialistas deve enviar um relatório sobre possíveis opções ao Governo japonês, que será responsável por tomar a decisão final. A empresa proprietária se limitará a acatá-la. Outras possibilidades incluem o armazenamento prolongado em terra ou a vaporização da água.
O acúmulo de fluido radioativo é um problema com o qual a Tepco tem de lidar desde o início da crise. Os porões dos prédios que abrigam os reatores chegaram a conter 500 toneladas de água subterrânea, procedente das colinas próximas. Após a construção de uma “parede de gelo” de terra congelada que isola esses edifícios e desvia a água subterrânea para o mar, a quantidade se reduziu para 100 toneladas. A mistura resultante com a água da tubulação é bombeada, tratada e armazenada. Mas o tratamento para limpar os resíduos radioativos não permite a eliminação do trítio, um isótopo de hidrogênio considerado relativamente inofensivo.
Depois das palavras de Harada, o porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, saiu imediatamente em sua ajuda para esclarecer que a declaração do ministro era apenas uma opinião pessoal. As associações de pescadores não demoraram para criticar o ministro: após a catástrofe nuclear, os peixes capturados na área apresentavam altos níveis de radiação e foi totalmente proibido pescar nessas águas. Faz apenas dois anos que os leilões de peixes em Fukushima foram retomados e ainda hoje as vendas estão 20% abaixo do que alcançavam antes de março de 2011.
O presidente da federação de cooperativas de Fukushima, Tetsu Nozaki, qualificou as declarações como "insensatas, dada a posição" de Harada. "Queremos que haja um debate calmo", acrescentou, em declarações publicadas pelo Times.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que em janeiro publicou um novo relatório sobre o desmantelamento da usina afetada pelo terremoto de 2011, recomenda desde 2013 descargas controladas. Esses despejos são feitos "rotineiramente" pelas usinas nucleares no Japão e em todo o mundo, informava a AIEA.




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