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Gestão de resíduos no carnaval

  • majutavares
  • 22 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

A ala dos catadores A figura do catador é fundamental no controle do impacto ambiental. No Carnaval não é diferente. Durante os dias de folia em São Paulo, haverá uma ação realizada com 700 catadores, que atuarão em 74 blocos espalhados por São Paulo.

A ação foi estruturada pela Prefeitura, com patrocínio e parcerias, e conta com a participação do Movimento Nacional dos Catadores, a Associação Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e o aplicativo Cataki.

Haverá um movimento liderado pela ONG Pimp My Carroça, que atua desde 2012 em atividades de sensibilização e conscientização da sociedade, para dar visibilidade aos catadores e promover informação e serviços a esses profissionais.

Nas ações, são entregues kits com diversos itens de segurança, como calças e coletes com faixas refletivas, retrovisor, buzina e luvas emborrachadas. Mais de dois mil catadores já participaram de ações do projeto.

Segundo Adriane Andrade, coordenadora do projeto Carnaval 2020 pelo Pimp My Carroça, é a primeira vez que realizarão um evento dessa dimensão. Os catadores receberão pela venda dos materiais coletados nos blocos, além do valor correspondente a uma diária.

"Normalmente, esses trabalhadores não recebem pelo serviço prestado de coleta, e isso é uma luta histórica, mas estamos tendo um avanço significativo para remunerá-los", afirma.

Segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cada brasileiro produz cerca de 380 kg de resíduos sólidos por ano. Desse total, apenas 13 kg são reciclados - e 90% desse montante só passa pelo processo de reciclagem graças ao trabalho dos catadores e catadoras do Brasil.

Carnaval Lixo Zero: fantasia ou realidade?

Na última edição do carnaval paulista, a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) recolheu cerca de 916 toneladas de resíduos, somando os desfiles de rua e o Sambódromo do Anhembi. Desse total, metade foi destinada à reciclagem, ou seja, 458 toneladas. Segundo a Prefeitura, a expectativa para 2020 é coletar 5% a mais de resíduos.

Materiais como alumínio e vidro podem ser coletados e retornar à indústria, onde serão reutilizados, formando a chamada Economia Circular.

O evento é o primeiro e único carnaval lixo zero certificado do Brasil. A certificação é concedida pelo Instituto Lixo Zero Brasil a eventos, empreendimentos e afins que possuem uma taxa de reaproveitamento dos resíduos maior que 90%.

Para o diretor, fazer a gestão de resíduos eficiente em um ambiente aberto, onde não se tem controle do tipo de material que pode aparecer na triagem, é um grande desafio. Mas ele considera, em um contexto como o de São Paulo, uma taxa de reciclagem de 50% um bom número.

"Isso mostra a eficiência difícil de ver no gerenciamento de resíduos sólidos urbanos no país. Mas poderia ser ainda melhor se a prefeitura se articulasse com as empresas que mais vendem produtos e serviços no carnaval de rua para que houvesse uma estratégia simples e clara de redução e reutilização de materiais, como copos retornáveis e menos embalagens. Se isso existe, seria muito importante incluir com destaque na campanha de comunicação prevista", sugere.

Ainda segundo o diretor, o sistema seria ainda mais eficiente se os resíduos orgânicos pudessem ser separados. Com isso, certamente a taxa de reaproveitamento de resíduos seria maior do que 50%.

"Seria fantástico se a Prefeitura de São Paulo conseguisse ainda mais eficiência ainda neste carnaval. Afinal, cada quilo de resíduo não enterrado, não incinerado e que é levado de volta à sua cadeia de valor original conta muito", afirma.



 
 
 

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