Couro feito de cacto
- majutavares
- 12 de dez. de 2019
- 2 min de leitura
Um tecido livre de crueldade animal, livre de produtos químicos tóxicos e parcialmente biodegradável. Dois jovens mexicanos, Adrián López Velarde e Marte Cázarez, estão desafiando a moda exploratória atual e mostrando que esta indústria pode ser mais sustentável.
Tudo começa pelo cultivo da espécie Opuntia ficus-indica na cidade de Zacatecas, capital do estado de mesmo nome.
“É uma família de cactos que não precisa de irrigação, possui espinhos muito pequenos e é resistente ao frio, o que nos permite garantir uma produção contínua de matéria-prima ao longo do ano”, afirma López. “Cortamos as pencas maduras, sem matar a planta, para serem limpas e esmagadas. Posteriormente, são secas ao sol por três dias consecutivos. O processo seguinte é refinar a trituração até atingirmos um nível adequado de pulverização. Então, uma proteína presente no cacto é extraída por meio de congelamento. Finalmente, é feita uma mistura (que patenteamos) entre esse extrato e o pó de cacto, entre outros aditivos naturais que nos permitem fazer a ligação molecular entre a química sintética e orgânica, preservando o desempenho, a estética e a qualidade do material a ser fabricado. A mistura obtida em todo esse processo pode ser agregada ao algodão ou poliéster reciclado e até uma mescla destas substâncias“.
Atualmente, a companhia da dupla, batizada de Adriano de Marti, possui dois hectares de cultivo, mas com capacidade de expansão de até 40 hectares. O potencial de produção hoje é de 500 mil metros lineares por mês de pele vegetal.
A pele vegana foi lançada oficialmente na exposição Lineapelle, em Milão, no início de outubro. “A recepção do nosso material tem sido bastante positiva em todo o mundo. Confirmamos que as indústrias têm um interesse genuíno em contribuir para o cuidado ambiental. Atualmente, estamos trabalhando em projetos importantes na indústria da moda, calçados, automotivo e até aeronáutica”, revela López.




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