A morte do Rio Tietê e da Baía de Guanabara
- 2 de jul. de 2019
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Tietê
Foi a partir da década de 1950, com o crescimento populacional e industrial desordenado da cidade de São Paulo, que o rio passou a receber o esgoto doméstico e industrial no trecho da cidade, deixando suas águas poluídas e contaminadas. Na década de 1970, seu índice de oxigenação chegou a 0%.
Com 1.136 km de extensão, da nascente em Salesópolis (SP) à foz no rio Paraná (divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul), o Tietê banha 62 municípios paulistas e é uma importante via para o escoamento produção agrícola e de outras mercadorias. Segundo IBGE, a hidrovia Tietê-Paraná abrange um raio com 75 milhões de habitantes em cincos estados (São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás).
Quase 45% da população do país não possui seu esgoto tratado e despeja seus resíduos nos rios. O saneamento precário é tido como principal fator para poluição das águas.
Em curso desde 1992, 8,9 bilhões de reais já foram investidos na despoluição das águas do Tietê.
Na região mais rica e desenvolvida do país, somente a cidade de Biritiba-Mirim trata 100% do esgoto coletado. Dos 34 municípios que compreendem a região metropolitana de São Paulo, 19 não fazem tratamento de esgoto, que é lançado diretamente nos córregos e rios que deságuam no Tietê. Diariamente, 690 toneladas de esgoto são lançadas no rio mais importante do Estado.


Baía de Guanabara
Este é o motivo da poluição: a ocupação desordenada, e o pouco caso de sucessivos governos que nunca investiram em saneamento básico e coleta e tratamento de lixo. A baía de Guanabara recebe 15 mil litros de esgotos não tratados por segundo!
Uma pesquisa realizada na PUC revela que a Baía é uma das áreas mais poluídas por microplásticos no mundo. A maior parte dos detritos plásticos encontrados vem do descarte de resíduos das atividades marítimas, que envolvem estaleiros e portos, práticas esportiva e pesqueira e cruzeiros turísticos.
O programa de despoluição do Guanabara começou em 1994, custando 2,5 bilhões de reais. Ela tem uma área de aproximadamente 400 km2 e contém cerca de 3 bilhões de m3 de água. Dos 55 rios que nela deságuam, 50 tornaram-se esgotos a céu aberto. 9 milhões de pessoas vivem no seu entorno (estima-se que 1/3 resida em favelas, e outro terço em áreas com condições precárias de urbanização e saneamento). Pelos cálculos da secretaria do Ambiente, seriam necessários R$ 10 bilhões somente para universalizar o saneamento básico dos municípios no entorno da Baía de Guanabara. E assim a situação persiste até hoje.
A despoluição de 80% das águas da Baía de Guanabara era uma meta do Estado do Rio de Janeiro para a Olimpíada de 2016. Um ano antes da realização das competições, os programas que tentaram limpar as águas já tinham consumido 10 bilhões de reais em 20 anos.
O projeto de despoluição, conhecido como “Programa de Despoluição da Baía de Guanabara”, tinha o objetivo de tratar cerca de 60% do esgoto lançado. Índice que mal chega hoje aos 25%. Passados tantos anos sequer a primeira etapa foi concluída.




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